2021 ou 1984?

Diário de bordo: Rodrigo Mattos. 

Não sei se George Orwell tinha noção que o mundo estaria tão perto de seu mundo distópico, descrito em “1984.”


Não vivemos em um regime totalitário, mas existe uma força totalitária guiando todos a pensarem de uma só forma, capitaneada pelas redes sociais e suas influências. São algoritmos sofisticados que aprendem e personalizam a realidade de cada um. Não mais é necessário que pessoas como Winston Smith, funcionário do Ministério da Verdade, no livro de Orwell, que reescreve a todo instante a realidade. A máquina ocupou seu lugar e faz isso autonomamente. Até o “cancelamento” é real. No romance as pessoas são canceladas, caso não se encaixem no sistema, e literalmente apagadas de quaisquer registros possíveis, como se nunca tivessem existido, além, claro, de serem executadas. 


Somos observados 24/7, por algum tipo de equipamento. Não é o Grande Irmão, figura assustadora e intimidadora, com bigodes negros e olhos que parecem te seguir, não importa onde esteja. São câmeras de circuito interno, de tráfego, de nossos computadores e celulares, que gentilmente damos acesso a nossa privacidade e nem nos importamos em ser observados. Até mesmo zombamos do Grande Irmão, nomeando programas de televisão como forma de entretenimento, enquanto em alguma parte do mundo pessoas são analisadas e classificadas por reconhecimento facial, ditando o quê e onde elas podem ir ou fazer. 


As notícias são publicadas e desmentidas quase que no mesmo instante e nos deixam em um estado de permanente dúvida e incerteza, tornando rasa a assimilação dos fatos e enfraquecendo a opinião pública, dificultando a criação de um pensamento coerente e capaz de questionar, desconectando os núcleos pensantes e facilitando a manobra das massas. 


Estamos alterando nossos idiomas para acomodar e incluir sem discriminar, esquecendo as raizes etimológicas, a história, só para não melindrar um ou outro indivíduo, como a Novalíngua fazia, eliminando palavras “redundantes”,  o único idioma que se gaba de ter menos palavras a cada revisão, aplicando prefixos e sufixos para dar sentido as palavras suprimidas, como por exemplo, alto e baixo: para quê duas palavras? Basta “alto”! O que não for “alto” é “nalto”, ou “nãoalto” ou ainda “desalto”. “Duplialto, maisalto, duplimaisalto, etc. Uma regressão linguística, para reduzir a capacidade de expressão de “todes es pessoes, de forme neutre, dificultande e entendimente!” Esquecendo que o preconceito e a discriminação não estão na palavra, mas no contexto que ela se insere e na forma que é proferida. 


Sem prisões, ou intimidações físicas, nos deixamos dominar por essas forças que hoje em 2021 nos controlam e moldam, mesmo que sejamos contra e digamos abertamente ser contra, como Winston achava que seria – a força proletária – e acabou sucumbindo à força dominante. Hoje acreditamos nas mentiras contadas pelos governantes e continuamos colocando eles no comando e achando que um dia irão fazer diferente. 


Eu te amo Grande Irmão!

Comentários

  1. https://www.amazon.com.br/1984-Edi%C3%A7%C3%A3o-quadrinhos-George-Orwell/dp/8535932526/ref=sr_1_1?crid=2N88K2XUIB2JI&dchild=1&keywords=1984+hq&qid=1635030641&sprefix=1984+%2Caps%2C232&sr=8-1

    Estou lendo nesse momento!!!!!!!

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