Diário de bordo, Rodrigo Mattos: Audiência pública sobre a ciclovia da Av. Rio Branco

Ontem a noite participei da audiência pública sobre a ciclovia a ser implantada na Av. Rio Branco, na Praia do Canto. 
Existem hoje, duas propostas para a implantação da ciclovia, uma que foi elaborada pela prefeitura de Vitória e outra pelo Engenheiro Luiz Carlos Menezes. 
A opção da PMV contempla uma ciclovia protegida no meio da via, próxima ao canteiro central e retira 92 vagas de estacionamento rotativo, o que causou uma celeuma junto aos comerciantes da via. 
A proposta do engenheiro Menezes é feita sobre o canteiro central e não elimina nenhuma vaga de estacionamento rotativo. É a preferida da Associação de Moradores da Praia do Canto. 


Eu a caminho da audiência pública 

Como defensor da bicicleta e entusiasta do assunto fui participar e entender o que pensam nossos conterrâneos. 

A apresentação de Menezes

A ciclovia proposta por Menezes, foi apresentada com exemplos baseados nas ciclovias de São Paulo, criticadas por Jan Gehl, por tirarem área verde da cidade e não reduzirem o domínio do automóvel. Ele propõe duas vias binárias, com 1,20m de largura, sobre o canteiro central, com grades protetoras no meio-fio e sinuosidades emolduradas com espaços de grama. 


Proposta de Menezes

Durante a participação da população foi ressaltado o espaço reduzido e a impossibilidade de se ultrapassar, criando uma fila dependente da velocidade do ciclista que estiver na frente. Uma participante ressaltou que uma ultrapassagem, potencialmente, poderia gerar acidentes, porque se o ciclista for para a grama, pode não conseguir voltar para a pista. Outro ponto levantado por mim foi sobre segurança: caso a pessoa fique sozinha no meio da ciclovia, ela pode ser encurralada pelas entradas, isso geraria insegurança, principalmente com o público feminino. 

A proposta da PMV

O engenheiro da SEDEC - Secretaria de Desenvolvimento da Cidade, Leonardo Schulte, apresentou a proposta da PMV, com justificativas embasadas por laudos da SEAMA, defendendo a opção municipal, por colocar a ciclovia junto ao canteiro central e não junto da calçada, como deveria ser. 


Proposta da PMV

No final o vereador Fabricio Gandini fechou, dizendo que existem propostas factíveis e não factíveis. E que a prefeitura iria optar pela melhor alternativa, desde que seja possível de ser executada. 

Por incrível que pareça, muitas das manifestações foram em prol da retirada de vagas e criação de um bairro mais humano. 

O que senti falta foram referências de qualidade, como Copenhagen e Amsterdam. As justificativas ficaram centradas em soluções ainda tímidas e presas ao conceito carrocentrista, considerando a bicicleta como um veículo similar ao carro, que precisa se deslocar por uma via e não como o ciclista realmente é, um pedestre com rodas, que é flexível o bastante para mudar seu caminho, com paradas inesperadas, sem prejudicar seu destino final. 

Por isso as ciclovias devem ser ao longo das calçadas, porque assim elas permitem que essas paradas seja rápidas e fáceis, como um pedestre que passeia vendo vitrines e resolve entrar e comprar. 

O modelo ideal de Copenhagen, com vias binárias, em quase todas as vias da cidade, em vias de 2,50m de largura mínima, está longe de acontecer aqui, mas se não houver um compromisso do poder público e da população em adotá-lo, mesmo começando pequeno, com planos de expansão, nunca chegaremos lá. Desfazer uma obra malfeita é muito mais oneroso que começar pequeno no caminho certo. 

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