Diário de bordo, Rodrigo Mattos: Ainda sobre a Av. Rio Branco...

Hoje não consegui dormir, quando olhei o relógio eram 4:00 da madrugada. Resolvi levantar e por para fora as idéias que fervilhavam na minha cabeça. Tomei um copo d'água e sentei em frente ao computador.

Com as informações obtidas após a assembleia de terça-feira, comecei a traçar minha proposta para a avenida Rio Branco.

A ideia é simples. Nenhuma alteração no canteiro central, somente melhoramentos no seu paisagismo, tarefa que deve ser bem planejada, porque as sombras das árvores, prejudicam o crescimento da grama. O ideal seria colocar plantas  rasteiras, que se adaptam bem na sombra.

Com a largura máxima da via, estipulada em 8,00m arranjei da seguinte forma: 2,20m para a ciclovia e 2,90m para cada faixa de rolamento de automóveis. Tomei como exemplo o cruzamento da avenida com a Rua Moacir Avidos, onde ampliei o passeio na esquina, elevando a faixa de pedestres, para facilitar o caminhar e a acessibilidade, sinalizando claramente que o pedestre tem preferência. A faixa de pedestres que cruza a Av. Rio Branco, contaria com rampas de acesso da largura da faixa e teria o canteiro central rebaixado e ampliado para a mesma largura da faixa de pedestres, também visando melhorar a acessibilidade do usuário.

Num primeiro momento, a implantação seria da ciclovia em um lado da via, no sentido Praia do Canto/Santa Lúcia. A escolha se deu por haver menor número de estabelecimentos comerciais, retirando como na proposta da prefeitura 90 vagas de estacionamento rotativo. O sentido oposto, Santa Lúcia/Praia do Canto, permaneceria com suas vagas de estacionamento.

Como a ciclovia fica próxima ao passeio, não há necessidade de colocação de grades de proteção, seu lado exposto ao trânsito de veículos fica demarcado com tachões e sinalizadores verticais de plástico, flexíveis, fixados no pavimento e com juntas de borracha, para dobrarem sem causar danos materiais, em caso de colisão. Esses sinalizadores teriam faixas refletoras na parte superior, auxiliando na orientação noturna.

A pista da ciclovia receberia uma camada extra de asfalto, elevando seu nível cerca de 3 a 4cm. Isso ajuda na identificação e demarcação da ciclovia. As bocas de lobo receberiam uma sobre-grelha, com aberturas transversais as existentes, reduzindo ligeiramente seu espaçamento e prevenindo que algum ciclista caia com a roda da bicicleta dentro do bueiro.

A imagem abaixo ilustra a proposta em sua fase inicial.

De acordo com a evolução de uso da ciclovia, a proposta contempla uma expansão, desta vez eliminando o restante das vagas de estacionamento e passando a ser um sistema binário.

Como forma de conter os custos, a ciclovia não prevê pintura em toda sua extensão, aparecendo somente nos cruzamentos, funcionando como sinalização horizontal de alerta, tanto para os ciclistas, como para os motoristas. A opção por não pintar toda sua extensão, ajuda nas situações de reparo das vias. Fica mais fácil, rápido e barato de se executar.

A imagem abaixo ilustra a expansão da ciclovia com o sistema binário.

A proposta bidirecional não atende plenamente os pré-requisitos de largura mínima da ciclovia, mas os extrapola quando se torna binária, como não possui grades fixas nas laterais, fica mais fácil contornar a falta dos 20cm regulamentares. 

Essa opção atende a demanda de ciclistas que usam o bairro para deslocamentos mais longos, como apresentado na proposta da PMV, e atende os ciclistas locais, permitindo maior flexibilidade ao entrar e sair da ciclovia com segurança e rapidez. Em relação a segurança, diferente da proposta apresentada pelo eng. Menezes, o ciclista não ficaria encaixotado, caso alguém resolvesse abordar com más intenções, permitindo a fuga por não ter as grades laterais.

A arborização da via permite um pedalar bastante agradável que vai além do uso funcional, sendo ideal sua utilização para o lazer. Vale lembrar que esta não é uma via destinada a prática do ciclismo esportivo. 

Com certeza terei críticas e contra justificativas a minha proposta, mas entendo que dessa forma o ciclista seria encarado como ele realmente é, um pedestre sobre rodas.

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