Diário de bordo, Fabiano Dias: Seguros para um mundo inseguro...

Nessa semana, um jornal local da TV aberta abordou sobre os furtos de bicicletas na região da Grande Vitória. Em sua segunda matéria, falou sobre aplicativos de registros de bicicletas que usuários estão utilizando ou indicando, inclusive com o aval da Prefeitura Municipal de Vitória, com seus guardas municipais utilizando um desses aplicativos para averiguação de furtos de bikes.
Desde que comprei minhas duas bikes (e doei a minha velinha), utilizo um desses aplicativos, com ambas registradas. É um registro pago, barato, via o site de registro nacional (localizado em Brasília) que te envia um selo com QR Code de seu registro. No site você registra todos os dados da bike e suas cararcterísticas, por escrito e por fotos.
É algo que vai garantir que minhas bicicletas não sejam furtadas? Não, mas pelo menos (e espero que assim seja) faça o sujeito pensar duas vezes antes de fazê-lo.
Ao mesmo tempo, isso é algo sintomático de nossa realidade brasileira:  precisamos pagar pela nossa segurança, e de nossos bens, sabendo que nossos impostos tem para isso um de seus destinos, como o é também (ou deveria ser) o seu destino para a educação e a saúde.
Vivemos uma realidade ainda muito assustadora: muitos tem pouco e poucos tem muito. Isso se reflete claramente no cotidiano de conflitos em que vivemos enquanto sociedade brasileira.
De um lado, uma parcela da população que paga em dobro para viver, de outro, uma grande maioria que fica com as migalhas que lhes são dadas; há os que não estão nem ai, outros a parte de todo processo, outros invisíveis, outros que nem sabem para onde o vento sopra e, por aí vamos seguindo...
Enquanto isso, essa fragmentação e disparidade sócio-cultural-econômica se reflete nos espaços da cidade. Cada vez mais as pessoas se fecham em seus muros, em seus seguros (de vida, previdenciários, de saúde, da bike!) pois nem mais o futuro é incerto,  já que isso (já) é característica do presente.

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