Diário de bordo, Fabiano Dias: Aventura pós-gripe.
Estou saindo de uma gripe (pós-vacina anti-gripe) e aproveitei essa manhã de domingo, de sol ameno, para dar uma pedalada com minha retrô e desopilar o pulmão congestionado (rapaz...funciona!).
Como de costume, a Av. Dante Micheline da Orla de Camburi, em Vitória, fica parcialmente interditada para os carros, tornando-se um grande espaço público que completa o calçadão da Orla, livre para caminhadas, padaladas, passeios com as crianças e famílias, skates, patins etc. Padalei. Fui no fluxo. Cortei a orla toda, saindo de meu apê em Jardim Camburi e como estava (estranhamente) animado, decidi ir além...
Seguindo o fluxo, atravessei a ponte de Camburi em direção à Enseada do Suá. Para os que não conhecem a história da Ilha de Vitoria, tanto a ponte de Camburi com a oposta a ela no canal, a ponte da Passagem, delimitam a Ilha de sua parte continental, que começou a ser ocupada com maior densidade a partir da década de 1970.
Atravessando a ponte, passei pelas Praças dos Namorados e dos Desejos, indo em direção a Praça do Papa, minha meta para a "aventura" de última hora...Preocupado se a saúde deixaria. E até que deixou.
Foi uma experiência nova para mim, nesse mundo pedal, para alguém mais acostumado às caminhadas. Enxerguei pelos olhos do #RodrigoMattos, nosso parceiro-sócio-proprietário do Walk2Bike, sobre o que ele vem desenvolvendo em sua Dissertação de Mestrado pelo PPGAU UFES (em breve mais notícias sobre o trabalho do Rodrigão...).
A percepção da paisagem que se descortina pela bicicleta tem um alcance maior do que quando caminhamos (atestei sua hipótese Rodrigo!). A atenção aumenta e a percepção também. Na Enseada, principalmente na Praça do Papa e seu entorno que dá para o canal e que nos leva para a Baía de Vitória, nos leva também e ao mesmo tempo, para a história de fundação de Vitória, enquanto Vila em 1551, uma das 14 primeiras a serem fundadas pelos portugueses.
A imponência dos prédios que tomaram conta dessa área, desde finais de 1980, fragmentam essa história que somente é salvaguardada pela presença, do outro lado do canal-Baía, do Convento Fransciscano de Nossa Senhora da Penha, também do séc. XVI.
O belo relevo local de morros e pães de açúcar acabam sendo suplantados e competindo com a fragmentação da verticalização das últimas décadas.
O Cais das Artes, o primeiro grande Museu e obra do Capixaba Paulo Mendes da Rocha em sua terra de nascença, e depois de muita polêmica e paralisações das obras, é ele mesmo, uma memória em sua implantação, da história portuária de Vitória desde suas origens coloniais.
Seu vizinho, mais antigo, o pequeno prédio do Tribunal de Contas da União, tipologia do Lelé, vulgo João Filgueiras Lima lembra um conjunto de estruturas portuárias, prontas para o embarque...
A Terceira Ponte (cidades de pontes...) que conecta Vitória e Vila-Velha física e históricamente sobre o canal-Baía, é um rasgo na paisagem de Vitória e no seu sky-line. É moldura em alguns momentos, ousadia em outros, esquisitice em mais alguns, beleza em outros mais... gente na praça do Papa curtindo o visual, galera da capoeira, pessoal do Bike Anjo ensinando a criançada a pedalar...
Daí, voltei. Contra o vento, com o pulmão querendo ficar limpo no meio do caminho e satisfeito com essa pedalada de última hora.
Ps.: faltou falar do BikeGV, ônibus de bikes que liga Vitória a Vila-Velha. Só tirei fotos de seu ponto próximo ao Parque das Ciências. Deixa para uma próxima experiência.

Legal seu post de hoje! Fico feliz por ter corroborado minha hipótese! Mais um motivo para expandir a cultura ciclística na ilha.
ResponderExcluirEsse é realmente um exercício excelente para limpar os pulmões!
Keep o cycling!
:)))))
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