Diário de bordo, Fabiano Dias: Chuva e mais chuva...

Poderia escrever aqui sobre a impossibilidade ou no mínimo, a dificuldade que é caminhar ou pedalar na chuva, ou ainda, dar graças pela chuva em tempos de estiagem...mas chuvas torrenciais ou contínuas em Vitória me lembram problemas. Chove forte desde ontem, sábado.

E chuva forte (e contínua) é sinal de preocupação com enchentes e deslizamento de terra em encostas e morros. Enchentes devido à enorme impermeabilização de nossos solos urbanos recobertos de pavimentos impermeáveis, dos sistemas de drenagem urbana insuficientes, do assoreamento das margens dos rios e canais urbanos, do lixo jogado nas redes de drenagem, da falta de investimentos constantes nessa área e de uma boa parcela de consciência-educação-cultura de nossa sociedade. Deslizamentos das encostas super ocupadas por construções irregulares de quem não tem outro lugar para morar, de desmatamentos criminosos ou mesmo por motivos naturais.

Chuvas podem ser uma benesse da Natureza ou um aviso, ou castigo para uns, que ela nos dá sobre a forma como a agredimos. Se é certo dizer, como defende o arquiteto Renzo Piano (1), que a cidade é uma segunda natureza, a humana, essa deveria, como também defende o arquiteto, estar em consonância com a primeira.

Pensar a cidade para as pessoas é pensa-la como um abrigo coletivo, como um lugar de segurança e conforto para quem a ocupa. E não um lugar onde você acaba por se proteger dela. A Natureza e seus fenômenos são parte de nossa existência. A cidade é, por fim, a expressão humana de sua própria natureza.



(1) PIANO, Renzo et al. Renzo Piano: sustainable architectures = arquiteturas sostenibles. Barcelona: Gustavo Gili; Corte Madera, CA: Ginko Press, 1998, 63 p.

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